Plenitude
Meu coração sem forças, desenganado e perdido no canto sombrio da tua alma
Por vezes trava batalha com suas próprias verdades e tenta enganar-se, migrando seus sonhos.
Inquieto se debate e por vezes se liberta.
O dia há muito, repousou seu cansaço nos braços da noite.
Rendeu-se à ela despedindo-se das cores, omitindo os sons lentamente...
A voz do meu coração imita agora, o desenlace do dia e cala-se também.
Curva-se ao seu destino.
Há amor no silêncio.
Soltos, os pensamentos deixam-se tocar pelos dedos extensos do vento...
Que desviam o curso de uma lágrima, vertente da saudade
Minha alma reconforta-se no noturno do céu.
Onde as estrelas iniciam a sinfonia do amor absoluto, do qual o infinito traz o testemunho.
E onde o espaço a desata das cadeias do físico me acolhendo como sua filha
E concedendo-me a paz desse amor, filho unigênito do tempo.
Somente esse amor é capaz de fazer o espírito, sorver o vinho da paz.
Nos faz livres e alforria...
Então prossigo transbordando em meus versos
Até que minhas mãos cessem os sentimentos e desnudem meu corpo, templo da minha alma
Como se simultaneamente pudessem descortinar o momento.
Pedaços dela, vão se espargindo pelas páginas da tua história.
Fecho agora a morada do desejo maior e abdico ao amor que nela habita
Em nome de algo ainda maior: a tua felicidade.
Solitários, serenos...pensamento, coração, corpo e alma
Tornam-se uno, enfim.
Insistindo na plenitude.
Repouso meu cansaço no íntimo da madrugada.
Acompanhará o dia e a noite, o meu coração.
Renascerá e descansará em suas crenças.
E ainda que não escutado, não compreendido, o encontrará o amanhecer, onde mesmo o poente o deixou.
Fernanda C. Scialla


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